quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Um inimigo mutante

Um inimigo mutante

O grande inimigo da vida não mede mais que trinta milionésimos de milímetro. Causa gripe, sarampo, paralisia infantil, varíola, AIDS - entre muitas outras agressões à saúde. Esse inimigo é tão peculiar que, além de microscópico, é um parasita celular obrigatório. É formado por um material genético básico - o ácido nucléico - e é capaz de multiplicar-se. Essa criatura é o vírus, cuja única razão de existir parece ser a própria reprodução. Para isso, aproveita-se dos mecanismos das células onde se hospeda. Depois as sacrifica. E ainda vence muitas batalhas na guerra sem quartel que a ciência moderna lhe move. A cada passo descobre-se a presença de vírus onde não se suspeitava.
Fica muito difícil, porém, diagnosticar se um vírus é de fato novo ou se nova é apenas a sua descoberta. É que o vírus é formado por um ácido nucléico, base de qualquer célula. Tais ácidos formam as chamadas moléculas de aminoácidos. Estas reunidas, constroem as proteínas de que são feitos os seres vivos. Nas células existem dois ácidos nucléicos: o DNA, ou ácido desoxirribonucléico, que guarda toda a bagagem hereditária daquele organismo; e o RNA, ou ácido ribonucléico, responsável pelo bom funcionamento dos componentes das células. Mas com o vírus é diferente: só possui ou DNA ou RNA. Ele, na verdade, nada mais é que um novelo de um único ácido nucléico, envolvido numa fina capa de proteínas. Na presença do vírus o corpo transforma-se em campo de batalha. E, como em toda guerra, a vitória costuma ser de quem tem a melhor estratégia.
Todo vírus é um especialista - tem preferência por determinado tipo de célula. Assim, o vírus da hepatite sai em busca das células do fígado; o vírus do resfriado prefere as células do aparelho respiratório.
A mutação é um recurso de sobrevivência do vírus, estão sempre prontos a trocar de máscara e nos enganar de novo.

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